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Prof. Milena Prado

Alfabetização & Psicopedagogia 🧠✨

Blog da Prô Milena

Posts com conteúdo pedagógico, dicas e sugestões de brincadeiras para famílias e educadores.

Consciência Fonológica na Prática: 10 Atividades para Alfabetização

Consciência Fonológica na Prática: 10 Atividades para Alfabetização

Publicado em 22/09/2026 13:51

O que é consciência fonológica?

A consciência fonológica é a capacidade de perceber, identificar e refletir sobre os sons que formam as palavras.

Durante a infância, essa habilidade pode ser desenvolvida por meio de brincadeiras, músicas, histórias, parlendas, rimas e jogos que levem a criança a prestar atenção na estrutura sonora da língua.

Antes mesmo de aprender a ler e escrever convencionalmente, a criança pode perceber que as palavras possuem partes, que algumas terminam com sons semelhantes e que determinadas palavras começam com sons parecidos.

Por isso, trabalhar a consciência fonológica na Educação Infantil é uma importante estratégia para favorecer o processo de alfabetização.


Por que trabalhar a consciência fonológica?

O desenvolvimento da consciência fonológica ajuda a criança a compreender progressivamente a relação entre a fala e a escrita.

Ao brincar com os sons, a criança começa a perceber características importantes das palavras, como:

  1. palavras que rimam;
  2. quantidade de sílabas;
  3. sons iniciais e finais;
  4. semelhanças e diferenças entre palavras;
  5. palavras que começam com o mesmo som;
  6. unidades menores presentes nas palavras.

Essas experiências contribuem para que a criança desenvolva conhecimentos importantes para a aprendizagem da leitura e da escrita.


Consciência fonológica na prática: 10 atividades para fazer com as crianças

O trabalho com consciência fonológica pode acontecer de maneira simples e divertida. Confira algumas atividades que podem ser incorporadas à rotina pedagógica.

1. Brincadeira das rimas

Escolha uma palavra e peça para as crianças encontrarem outras palavras que tenham sons semelhantes no final.

Exemplo:

PATO → GATO → RATO

Também é possível utilizar músicas, parlendas e poemas infantis para pedir que as crianças identifiquem as palavras que rimam.

Dica: utilize imagens para ajudar as crianças menores.

2. Batendo palmas para as sílabas

Fale uma palavra lentamente e peça para as crianças baterem palmas para cada parte percebida.

Exemplos:

BO-LA → 2 palmas

CA-DEI-RA → 3 palmas

BO-RBO-LE-TA → 4 palmas

Essa atividade pode ser transformada em uma brincadeira de movimento, utilizando passos, pulos ou batidas na mesa.

3. Qual palavra começa igual?

Apresente algumas imagens e peça para a criança identificar quais palavras começam com o mesmo som.

Exemplo:

🐱 MACACO

⚽ BOLA

🐭 RATO

🏠 MALA

Pergunte:

“Qual palavra começa como MACACO?”

A criança deverá perceber a semelhança entre MACACO e MALA.

4. Caça às palavras

Escolha um determinado som e desafie as crianças a encontrar objetos ou imagens que comecem com ele.

Por exemplo:

“Vamos procurar coisas que começam com o som /P/?”

As crianças podem encontrar:

  1. panela;
  2. papel;
  3. pente;
  4. prato;
  5. peixe.

A atividade pode ser realizada dentro da sala de aula ou em diferentes espaços da escola.

5. Qual palavra é maior?

Apresente duas palavras oralmente e pergunte qual delas parece ser maior.

Exemplo:

SOL × BORBOLETA

Depois, converse com as crianças sobre a quantidade de partes sonoras percebidas em cada palavra.

Essa atividade ajuda a desenvolver a percepção da estrutura das palavras.

6. Jogo da memória dos sons

Monte um jogo da memória utilizando imagens.

As crianças deverão encontrar pares de imagens que tenham alguma relação sonora.

Por exemplo:

GATO – RATO

PANELA – JANELA

BOLA – COLA

Além de trabalhar a memória, a atividade permite explorar as semelhanças sonoras entre as palavras.

7. Bingo das rimas

Prepare cartelas com imagens e diga palavras em voz alta.

A criança deverá procurar em sua cartela uma imagem que tenha uma palavra que rime com aquela apresentada.

Por exemplo:

PROFESSOR: “Estou pensando em uma palavra que rima com GATO.”

A criança procura uma imagem correspondente a RATO.

8. Complete a palavra

O professor fala uma palavra retirando uma parte dela e pede que a criança descubra o que está faltando.

Por exemplo:

BO-...

A criança pode completar:

BO-LA

Essa atividade pode ser adaptada de acordo com o nível de desenvolvimento da turma.

9. Música e consciência fonológica

As músicas infantis são excelentes recursos para trabalhar os sons da fala.

Escolha uma música conhecida pelas crianças e faça perguntas como:

  1. Quais palavras se repetem?
  2. Quais palavras rimam?
  3. Qual palavra começa com determinado som?
  4. Quantas partes podemos perceber nessa palavra?

As cantigas de roda, parlendas e músicas podem transformar o desenvolvimento da consciência fonológica em um momento prazeroso e significativo.

10. Desafio do som inicial

Escolha um som e apresente diferentes imagens.

A criança deverá separar aquelas que começam com o som trabalhado.

Exemplo:

Som trabalhado: /M/

MALA – MACACO – BOLA – MESA – SAPO – MAMÃO

Depois, o professor pode perguntar:

“O que essas palavras têm em comum?”

Assim, a criança começa a perceber que diferentes palavras podem compartilhar o mesmo som inicial.


Consciência fonológica e alfabetização: qual é a relação?

A consciência fonológica está diretamente relacionada ao processo de alfabetização porque ajuda a criança a compreender que a fala pode ser analisada em diferentes unidades sonoras.

No processo de aprendizagem da escrita alfabética, essa percepção é especialmente importante para compreender que as letras representam os sons da fala.

Por isso, as atividades não precisam começar necessariamente com letras.

Brincar com rimas, palavras, sílabas e sons também é uma maneira de preparar as crianças para compreenderem progressivamente o funcionamento do sistema de escrita.


Qual é o papel do professor?

O professor atua como mediador desse processo.

Mais do que aplicar atividades prontas, é importante observar aquilo que a criança já consegue fazer e propor novos desafios.

Uma criança pode, por exemplo, reconhecer facilmente palavras que rimam, mas ainda apresentar dificuldade para perceber os sons iniciais.

Nesse caso, o professor pode oferecer novas experiências voltadas especificamente para essa habilidade.

O planejamento deve considerar a faixa etária, o desenvolvimento da turma e as necessidades individuais das crianças.


Como tornar as atividades mais divertidas?

O desenvolvimento da consciência fonológica pode fazer parte da rotina sem transformar a aprendizagem em uma sequência de exercícios repetitivos.

Algumas estratégias são:

🎵 Utilizar músicas e cantigas:** aproveite as repetições e rimas presentes nas músicas infantis.

📚 Explorar histórias:** depois da leitura, escolha algumas palavras da história para brincar com os sons.

🎲 Criar jogos:** bingo, memória, trilhas e desafios podem tornar a atividade mais envolvente.

🖼️ Utilizar imagens:** recursos visuais ajudam principalmente as crianças que ainda não dominam a leitura.

👏 Trabalhar com movimentos:** bater palmas, pular ou dar passos para representar sílabas torna a atividade mais dinâmica.


Consciência fonológica não é apenas ensinar letras

Um ponto importante é entender que consciência fonológica não significa simplesmente ensinar o nome ou o som das letras.

O objetivo é proporcionar situações em que a criança possa observar e manipular os sons da linguagem oral.

Por isso, uma atividade de rimas pode ser uma atividade de consciência fonológica mesmo sem apresentar nenhuma letra.

Da mesma maneira, brincar de separar palavras em sílabas pode acontecer antes de a criança saber escrever essas palavras.

O trabalho pode começar de maneira oral e lúdica e, gradualmente, estabelecer relações com a escrita.


Conclusão

Trabalhar a consciência fonológica na prática é criar oportunidades para que as crianças brinquem com a linguagem, percebam os sons e reflitam sobre as palavras.

Rimas, músicas, parlendas, histórias, jogos e brincadeiras podem fazer parte desse processo e transformar momentos simples da rotina em importantes oportunidades de aprendizagem.

O mais importante é que o professor observe cada criança, respeite seu processo de desenvolvimento e ofereça desafios adequados.

A alfabetização é construída gradualmente, e experiências significativas com a linguagem oral podem contribuir para que a criança compreenda, cada vez mais, como os sons e a escrita se relacionam.

Aprender sobre os sons das palavras pode ser divertido — e a brincadeira pode ser uma poderosa aliada da alfabetização.


Quem está protegendo nossas crianças?

Quem está protegendo nossas crianças?

Publicado em 13/08/2026 23:36

Carta aberta a educadores, educadoras, pais, mães e a todos nós


Quem está protegendo nossas crianças?


Estamos vivendo tempos em que falar sobre a proteção da infância deixou de ser apenas importante. Tornou-se urgente.

Recentemente, estive lendo o documento da Prefeitura de São Paulo, Conhecer para proteger: enfrentando a violência na primeira infância, que aborda as múltiplas formas de violência que podem atingir bebês e crianças e destaca a importância de reconhecer sinais, acolher, prevenir e intervir.

E uma reflexão ficou ainda mais forte em mim:


Quantas vezes uma criança tenta nos dizer que algo não está bem, mas ainda não possui palavras suficientes para explicar?


A violência contra a criança nem sempre deixa marcas visíveis.

Às vezes, ela aparece em mudanças de comportamento, no silêncio repentino, no medo, na agressividade, no choro frequente, na dificuldade de interação ou até mesmo em comportamentos que parecem “apenas uma fase”.


Por isso, proteger uma criança também significa saber observar, escutar e acolher.


Nós, educadores e educadoras, ocupamos um lugar muito importante nessa rede de proteção. Mas essa responsabilidade não é somente da escola.

É da família.

É das instituições.

É da sociedade.

É de todos nós.

Toda criança tem o direito de crescer em um ambiente seguro, respeitoso e livre de qualquer forma de violência.

Criança não precisa apenas de cuidado. Precisa de proteção. Precisa ser ouvida. Precisa ser respeitada. Precisa ter seus direitos garantidos.

Que possamos olhar para nossas crianças com mais atenção e compreender que, muitas vezes, um comportamento é um pedido de ajuda que ainda não encontrou palavras.


Que nenhuma criança precise enfrentar sozinha aquilo que ainda não consegue compreender ou contar.


📚 Para quem quiser conhecer o documento completo:

A Prefeitura de São Paulo disponibiliza gratuitamente o material "Conhecer para proteger: enfrentando a violência na primeira infância”, com orientações importantes para identificação, acolhimento, prevenção e intervenção.

👉 Acesse e faça o download do PDF:

https://acervodigital.sme.prefeitura.sp.gov.br/acervo/conhecer-para-proteger-primeira-infancia/


Proteger a infância é responsabilidade de todos.

E talvez a pergunta mais importante não seja apenas:

“Quem protege nossas crianças?”

Mas sim:

“O que eu estou fazendo, hoje, para protegê-las?”


Porque cuidar da infância é um ato de amor.

Garantir seus direitos é um dever.

E protegê-las é uma responsabilidade coletiva.


#Infância #EducaçãoInfantil #ProteçãoInfantil #DireitosDaCriança #Educação #PrimeiraInfância #Pedagogia #ViolênciaInfantil

Afinal, o que os bebês fazem no berçário?

Afinal, o que os bebês fazem no berçário?

Publicado em 09/08/2026 18:54

Essa é uma pergunta que, como professora de Educação Infantil, já ouvi muitas vezes.

“Mas o que um bebê faz no berçário?”

E talvez a melhor resposta seja: ele aprende. Aprende o tempo todo.

O berçário não é um lugar onde o bebê simplesmente passa o dia esperando a hora de ir para casa.

É um espaço de descobertas, vínculos, movimento, interação e desenvolvimento.

No berçário, o bebê aprende através do próprio corpo.

Ele rola, engatinha, senta, levanta, anda, segura objetos, bate, puxa, empurra, experimenta diferentes texturas, observa cores, escuta sons e descobre relações de causa e efeito.

Uma simples brincadeira com uma bola pode envolver muito mais aprendizagem do que imaginamos.

Quando o bebê empurra a bola e observa que ela se movimenta, está descobrindo uma relação entre sua ação e aquilo que acontece ao seu redor.

Quando brinca com diferentes objetos, está desenvolvendo a coordenação motora, a percepção e a curiosidade.

Quando escuta uma história, observa imagens, músicas e conversas, está entrando em contato com a linguagem.

Quando brinca perto de outro bebê, começa a perceber a presença do outro e a construir suas primeiras experiências de convivência.

E existe algo que considero ainda mais importante:

no berçário, o bebê constrói vínculos.

O olhar da professora, o colo, a voz, a música, o cuidado durante a alimentação, a troca de fralda, o momento do sono e a maneira como o adulto responde ao seu choro também são experiências educativas.

Porque cuidar também é educar.

Uma troca de fralda pode ser um momento de conversa.

A alimentação pode ser uma oportunidade de autonomia.

O banho pode envolver descobertas sensoriais.

O momento do sono pode ensinar segurança e confiança.

Uma brincadeira pode estimular movimento, atenção e curiosidade.

Por isso, quando alguém perguntar o que uma criança faz no berçário, talvez possamos responder:

Ela brinca.

Ela explora.

Ela experimenta.

Ela se movimenta.

Ela se comunica.

Ela cria vínculos.

Ela descobre o próprio corpo e o mundo ao seu redor.

E, principalmente, ela se desenvolve.

O bebê não precisa esperar crescer para começar a aprender.

A aprendizagem já acontece desde os primeiros dias de vida.

E é justamente por isso que o trabalho realizado no berçário é tão importante.

Por trás de cada brincadeira aparentemente simples, existe uma criança construindo conhecimentos sobre si mesma, sobre o outro e sobre o mundo.

O que Piaget me ensinou sobre o desenvolvimento da criança

O que Piaget me ensinou sobre o desenvolvimento da criança

Publicado em 09/08/2026 18:47

Quando comecei a estudar Psicologia do Desenvolvimento, uma das teorias que mais despertou minha atenção foi a de Jean Piaget.

Como pedagoga, sempre me interessei por entender não apenas o que uma criança aprende, mas principalmente como ela aprende.

E foi justamente isso que encontrei nos estudos de Piaget.

Ele nos ajuda a compreender que a criança não é um pequeno adulto que simplesmente “sabe menos”. Ela possui uma maneira própria de pensar, interpretar, experimentar e compreender o mundo.

Essa percepção mudou muito a minha maneira de olhar para a infância.

Porque, quando compreendemos o desenvolvimento infantil, passamos a ter mais paciência com aquilo que a criança ainda não consegue fazer e, ao mesmo tempo, mais sensibilidade para perceber tudo aquilo que ela já é capaz de construir.


0 a 2 anos — Estágio Sensório-Motor

O primeiro estágio do desenvolvimento proposto por Piaget acontece aproximadamente do nascimento aos 2 anos.

É uma fase em que a criança conhece o mundo principalmente através do corpo e dos sentidos.

  1. Ela toca.
  2. Segura.
  3. Leva objetos à boca.
  4. Joga.
  5. Bate.
  6. Sacode.
  7. Observa.
  8. Repete.

E nós, adultos, muitas vezes olhamos para essas ações e pensamos: “Ela está apenas brincando.”

Mas não.

Ela está aprendendo.

Quando um bebê joga um brinquedo no chão várias vezes, por exemplo, ele não está necessariamente tentando nos irritar. Ele pode estar descobrindo relações de causa e efeito.

“Se eu soltar, cai.”

“Se eu bater, faz barulho.”

“Se eu esconder, desaparece.”

“Se eu procurar, encontro.”

Pouco a pouco, a criança começa a compreender que os objetos continuam existindo mesmo quando não estão diante dos seus olhos — aquilo que Piaget chamou de permanência do objeto.

É também nessa fase que surgem importantes conquistas motoras e cognitivas.

O bebê começa a controlar melhor o próprio corpo, explorar o ambiente, desenvolver movimentos intencionais e construir as primeiras formas de representação.

Como educadora, essa fase me faz pensar em algo muito simples:

para o bebê, brincar é uma forma de pensar.

Por isso, oferecer objetos seguros para explorar, diferentes texturas, sons, movimentos e oportunidades de interação é oferecer possibilidades de aprendizagem.


2 a 7 anos — Estágio Pré-Operatório

É aqui que encontramos grande parte das crianças da Educação Infantil.

E talvez seja um dos períodos que mais precisamos compreender como educadores.

A criança começa a desenvolver a linguagem, a imaginação, o faz de conta e a capacidade de representar mentalmente aquilo que não está presente.

  1. Uma caixa pode virar um carro.
  2. Um pedaço de tecido pode virar uma capa de super-herói.
  3. Uma boneca pode virar um bebê.
  4. Uma colher pode virar um avião.

E, para mim, existe algo mágico nisso.

A criança começa a transformar o mundo através da imaginação.

É também nesse período que aparece o chamado egocentrismo cognitivo descrito por Piaget.

Isso não significa que a criança seja egoísta ou mal-educada.

Significa que ela ainda está desenvolvendo a capacidade de compreender plenamente a perspectiva do outro.

Por isso, uma criança pequena pode ter dificuldade para entender que outra pessoa pensa, sente ou enxerga uma situação de maneira diferente dela.

Ela ainda está construindo essa habilidade.

E isso muda completamente a maneira como interpreto determinados comportamentos infantis.

Quando uma criança diz:

“Ele pegou meu brinquedo, ele é mau!”

talvez ela ainda não consiga compreender completamente o ponto de vista do colega.

Ela precisa de um adulto que a ajude a construir essa compreensão.

É também nessa fase que o pensamento ainda é bastante intuitivo.

A criança pode acreditar que um copo alto possui mais água do que um copo baixo, mesmo quando viu a mesma quantidade sendo transferida de um recipiente para outro.

Isso acontece porque determinados conceitos lógicos ainda estão em desenvolvimento.

E aqui existe uma reflexão muito importante para nós, professores:

nem tudo aquilo que a criança ainda não compreende deve ser tratado como erro.

Algumas coisas são simplesmente construções que precisam de tempo, experiências e oportunidades para amadurecer.


7 a 11 anos — Estágio das Operações Concretas

Por volta dos 7 anos, começa um novo período.

A criança passa a desenvolver formas de pensamento mais organizadas e lógicas.

Mas existe uma palavra muito importante aqui:

concreto.

Ela consegue compreender melhor aquilo que pode observar, manipular, comparar e experimentar.

É nesse período que conceitos matemáticos e lógicos podem ganhar maior significado.

A criança começa a compreender melhor:

  1. classificação;
  2. ordenação;
  3. conservação;
  4. relações de quantidade;
  5. sequência;
  6. comparação;
  7. reversibilidade do pensamento;
  8. relações de causa e consequência.

Ela consegue perceber, por exemplo, que determinada quantidade de água continua sendo a mesma mesmo quando colocada em recipientes de formatos diferentes.

Também começa a compreender melhor que uma ação pode ser mentalmente “desfeita”.

Se 5 + 3 = 8, por exemplo, ela começa a compreender que 8 - 3 = 5.

O pensamento vai ficando mais organizado.

E isso me faz pensar no quanto as experiências concretas continuam sendo importantes na escola.

Não basta falar sobre matemática.

Podemos oferecer objetos para contar.

Não basta explicar classificação.

Podemos separar, organizar e comparar materiais.

Não basta falar sobre medidas.

Podemos medir objetos reais.

A criança aprende melhor quando consegue relacionar o pensamento com aquilo que vivencia.


A partir dos 11 ou 12 anos — Estágio das Operações Formais

Chegamos então à adolescência.

Nesse período, segundo Piaget, o indivíduo começa a desenvolver a capacidade de pensar de maneira mais abstrata.

  1. Já não depende exclusivamente de situações concretas.
  2. Pode trabalhar com hipóteses.
  3. Imaginar possibilidades.
  4. Questionar ideias.
  5. Refletir sobre situações que ainda não aconteceram.
  6. Pensar sobre conceitos abstratos.

É o momento em que perguntas como:

“E se...?”

“Por que isso acontece?”

“Será que poderia ser diferente?”

“Qual seria a consequência?”

ganham cada vez mais espaço.

O adolescente começa a conseguir elaborar hipóteses e raciocinar sobre possibilidades.

E essa transformação também modifica a relação com o conhecimento.

Ele não quer apenas saber o que acontece.

Começa a querer compreender por que acontece.


A educação se inicia no útero materno: o que estamos ensinando antes mesmo do nascimento?

A educação se inicia no útero materno: o que estamos ensinando antes mesmo do nascimento?

Publicado em 09/08/2026 18:38

Há uma frase que encontrei durante a leitura de A Fascinante Construção do Eu, de Augusto Cury, que ficou por muito tempo ecoando em meus pensamentos:

“A educação se inicia no útero materno.”

Como pedagoga, estou acostumada a pensar na educação como algo que acontece na escola, nas brincadeiras, nas interações, nas histórias que contamos, nas experiências que proporcionamos às crianças e, principalmente, nas relações que construímos com elas.

Mas essa leitura me fez olhar para um momento ainda anterior.

E se a educação começasse antes mesmo do primeiro colo?

E se as primeiras experiências de uma criança começassem a ser construídas ainda durante a gestação?

Essa reflexão me tocou profundamente.


Antes de ensinar, precisamos acolher

Quando pensamos em educação, muitas vezes pensamos em ensinar cores, números, letras, histórias, regras e comportamentos.

Mas, para mim, existe uma aprendizagem que vem antes de tudo isso: a aprendizagem das relações, do afeto, da segurança e do vínculo.

Durante a gestação, a mãe passa por inúmeras transformações físicas e emocionais. É um período de expectativas, descobertas, medos, inseguranças, sonhos e também de muitas mudanças.

Ao ler Cury, comecei a pensar que cuidar desse ambiente emocional também pode ser uma forma de cuidado e preparação para a chegada do bebê.

Isso não significa imaginar que a mãe precisa viver uma gravidez perfeita, sem tristeza, preocupação ou momentos difíceis. Isso seria injusto e impossível.

Significa compreender que o bem-estar materno também merece atenção.

A mãe também precisa ser cuidada.

E talvez essa seja uma das primeiras grandes lições que eu tiraria dessa reflexão: não podemos falar sobre o desenvolvimento de uma criança sem olhar também para quem está cuidando dela.


As 12 atitudes que me fizeram refletir

No livro, Augusto Cury apresenta 12 atitudes que considera importantes para as mães durante a gestação. Eu as compreendi não como uma lista de cobranças para uma mãe cumprir perfeitamente, mas como possibilidades de cuidado e reflexão.

1. Cuidar da alimentação

Uma alimentação adequada durante a gestação é uma das formas de cuidado com a própria mãe e com o bebê.

Isso me fez pensar que cuidar de uma criança começa também quando cuidamos das condições necessárias para que ela se desenvolva.

2. Valorizar o descanso e o sono

O descanso também precisa fazer parte da gestação.

Vivemos em uma sociedade que muitas vezes transforma o cansaço em motivo de orgulho. Mas a gestação nos lembra que o corpo precisa de pausas.

Descansar não é perder tempo.

É cuidar.

3. Evitar álcool, cigarro e outras drogas

Essa orientação está relacionada diretamente aos cuidados de saúde durante a gestação.

Mais do que uma regra, vejo como uma forma de proteção e responsabilidade diante de uma vida que está em desenvolvimento.

4. Proteger-se, na medida do possível, de situações de estresse

Essa foi uma das ideias que mais me chamou atenção.

Cury destaca a importância de a gestante evitar conflitos, discussões e situações que possam gerar tensão excessiva.

É claro que ninguém consegue controlar tudo o que acontece ao seu redor. A vida continua acontecendo durante a gravidez.

Mas talvez possamos escolher melhor quais batalhas realmente precisamos enfrentar.

5. Criar momentos de contato com o bebê

A ideia de acariciar a barriga, conversar e estabelecer uma relação afetiva com o bebê me parece muito significativa.

Mesmo antes de segurar a criança nos braços, a mãe já pode começar a construir uma relação com ela.

É como dizer:

“Eu sei que você está aqui. Eu estou esperando por você.”

6. Cantar e conversar com o bebê

Essa é uma atitude simples, mas carregada de significado.

Imagino uma mãe cantando para o bebê enquanto arruma suas coisas, toma banho ou simplesmente descansa.

Talvez não seja sobre a música ser bonita.

É sobre a voz, a presença e o vínculo.

É sobre começar a construir uma história entre duas pessoas que ainda nem se encontraram fora do útero.

7. Ler e buscar experiências que favoreçam o desenvolvimento

Outro ponto apresentado pelo autor é a importância de oferecer estímulos e experiências enriquecedoras durante a gestação.

Essa ideia me fez pensar no quanto o ambiente influencia nossas experiências desde muito cedo.

Não se trata de transformar a gestação em uma agenda de atividades ou de acreditar que é preciso fazer tudo perfeitamente.

É simplesmente criar oportunidades de contato com experiências tranquilas, significativas e positivas.

8. Cultivar momentos de tranquilidade

A gestante também precisa de momentos para respirar, desacelerar e olhar para dentro.

Pode ser uma música, uma leitura, uma caminhada, um momento de silêncio ou simplesmente alguns minutos longe da correria.

Às vezes, cuidar de uma criança começa quando a mãe consegue cuidar um pouco de si mesma.

9. Estimular a observação, a imaginação e a interiorização

Essa ideia conversa muito com aquilo em que acredito como educadora.

A criança precisa de espaço para imaginar, observar, criar e sentir.

E o livro propõe que a própria mãe também cultive essas experiências durante a gestação.

Isso me fez perceber algo interessante:

como queremos ensinar uma criança a imaginar o mundo se nós mesmos vivemos constantemente presos à pressa?

10. Sonhar e construir planos para o bebê

Toda criança começa a existir também nos sonhos de alguém.

Antes de nascer, ela já pode ter um nome, um quarto, uma história imaginada, uma família esperando por ela.

Planejar, sonhar e imaginar o futuro do filho pode ser uma maneira de fortalecer esse vínculo.

E aqui existe uma diferença importante: sonhar não significa determinar quem a criança deverá ser.

É sonhar com uma vida na qual ela possa descobrir quem é.

11. Cuidar dos pensamentos pessimistas

Essa talvez seja uma das reflexões mais delicadas.

Durante a gestação, podem surgir medos, inseguranças e pensamentos difíceis.

Não acredito que uma mãe precise se culpar por sentir medo ou tristeza.

Pelo contrário.

Acredito que ela precisa encontrar espaços para falar sobre aquilo que sente, buscar apoio e não permanecer sozinha diante de seus pensamentos.

Cuidar da mente também é uma forma de cuidado.

12. Valorizar a própria autoestima

Por último, Cury fala sobre a importância de a mãe reconhecer sua beleza e acolher as transformações do próprio corpo.

E essa ideia me parece especialmente importante.

O corpo da mulher muda.

A barriga cresce, o peso muda, a aparência muda e muitas vezes surgem inseguranças.

Mas esse corpo também está realizando algo extraordinário.

Ele está criando espaço para uma nova vida.

Por isso, olhar para si mesma com carinho também faz parte desse processo.


Como pedagoga, essa leitura me fez pensar ainda mais na infância

Depois dessa reflexão, passei a olhar para a educação infantil de uma maneira ainda mais ampla.

Quando uma criança chega à escola, ela não chega “em branco”.

Ela chega carregando experiências, vínculos, histórias, emoções e formas de perceber o mundo que começaram a ser construídas muito antes daquele primeiro dia de aula.

Por isso, acredito tanto em uma educação que acolhe.

Uma criança que chora precisa ser escutada.

Uma criança que sente medo precisa de segurança.

Uma criança que está brava precisa aprender a reconhecer sua emoção.

Uma criança que não consegue se expressar precisa encontrar um adulto disposto a ajudá-la.

E tudo isso também é educação.


Uma reflexão que levo comigo

Ao terminar essa parte do livro, fiquei pensando que talvez uma das maiores responsabilidades dos adultos seja compreender que educar não é apenas transmitir conhecimentos.

Educar é participar da construção de uma pessoa.

E essa construção começa muito antes das primeiras palavras.

Começa antes dos primeiros passos.

Começa antes do primeiro dia na escola.

Por isso, quando penso na frase “a educação se inicia no útero materno”, não penso em uma mãe que precisa ser perfeita.

Penso em uma mãe que também precisa ser acolhida.

Penso em uma família que precisa de apoio.

Penso em vínculos que começam a ser construídos antes mesmo do nascimento.

E penso, principalmente, no quanto nós, educadores, precisamos compreender que quando uma criança chega até nós, sua história já começou há muito tempo.

Nós não somos o início dessa história.

Somos parte dela.

E que privilégio é poder participar da construção de tantas pequenas histórias.